terça-feira, 18 de setembro de 2018

domingo, 18 de março de 2018

Três sonetos de Camões

Quando de minhas mágoas a comprida
Maginação os olhos me adormece,
Em sonhos aquela alma me aparece,
Que para mi foi sonho nesta vida.

Lá numa soidade, onde estendida
A vista por o campo desfalece,
Corro após ela; e ela então parece
Que mais de mi se alonga, compelida.

Brado: − Não me fujais, sombra benina. −
Ela (os olhos em mi c'um brando pejo,
Como quem diz que já não pode ser)

Torna a fugir-me; torno a bradar: − Dina...
E antes que diga mene, acordo, e vejo
Que nem um breve engano posso ter.

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O céu, a terra, o vento sossegado...
As ondas, que se estendem pela areia...
Os peixes, que no mar o sono enfreia...
O nocturno silêncio repousado...

O pescador Aónio, que, deitado
Onde co vento a água se meneia,
Chorando, o nome amado em vão nomeia,
Que não pode ser mais que nomeado:

— Ondas – dezia – antes que Amor me mate,
Tornai-me a minha Ninfa, que tão cedo
Me fizestes à morte estar sujeita.

Ninguém lhe fala; o mar de longe bate;
Move-se brandamente o arvoredo;
Leva-lhe o vento a voz, que ao vento deita

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Busque Amor novas artes, novo engenho,
para matar- me, e novas esquivanças;
que não pode tirar me as esperanças,
que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.

Que dias há que n'alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como, e dói não sei porquê.



domingo, 14 de janeiro de 2018

Farsa de Inês Pereira


                                             Caracterização de Personagens


      INÊS PEREIRA: rapariga ambiciosa e sonhadora (pequena burguesia)

  • é ociosa, despreza a vida rústica do campo;
  • o seu quotidiano é entediante: costura, borda e fia;
  • é alegre, quer sair de casa e divertir-se, mas é contrariada pela mãe;
  • é ambiciosa e idealista, quer casar-se com um homem que, ainda que pobre, seja «avisado» (discreto), meigo e saiba cantar e tocar viola, para fugir à vida que tem, viver alegre e ascender socialmente;
  • a carta que Pero Marques envia não lhe agrada; considera-o disparatado e simplório;
  • troça de Pero Marques quando este a visita, e rejeita-o.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Crónica de D. João I de Fernão Lopes

  1. Com a morte de D. Fernando, em 1383, ficou como regente a sua viúva, D. Leonor Teles, até que a sua única filha legítma, a Infanta D. Beatriz, assumisse o trono. Porém, esta era casada com D. João I, rei de Castela, e assim sendo, na hipótese de D. Beatriz ser aclamada, estaria em causa a independência de Portugal.  Perante esta crise, a população de Lisboa insurgiu-se contra D. Leonor Teles. 
  2.  A revolta foi liderada por D. João, Mestre de Avis, filho bastardo de D. Pedro.   O Conde Andeiro, fidalgo galego e amante da rainha, é assassinado pelo Mestre de Avis.  D. Leonor Teles pediu auxílio ao rei de Castela. 
  3.   O rei de Castela, apesar de o contrato de casamento ter previsto o reino de Portugal e o de Castela ficariam sempre separados, acabou por invadir Portugal, originando vários confrontos em que os Portugueses saíram sempre vencedores:  Cerco de Lisboa (1384);   Batalha de Atoleiros (1384);   Batalha de Aljubarrota (1385);   Batalha de Valverde (1385). 
  4.   O Mestre de Avis foi aclamado rei de Portugal nas Cortes de Coimbra em 1385 e a paz com Castela veio a ser assinada em 1411.

  5.   No ínício da era cristã, o vocábulo “crónica” designava a narração histórica pela ordem do tempo em que os factos iam acontecendo. 

  6.  Crónica de D. João I 

  7.  Apresenta características inovadoras próprias de Fernão Lopes:
  8.  • Narra os acontecimentos com bastante detalhe, conferindo-lhe maior visualismo e veracidade.   • Inclui várias perspetivas, nomeadamente a do Povo.
  9.  • Tem uma dimensão interpretativa e estética.
  10.  • Apresenta comentários pessoais do autor.

  11.   Duas partes divididas em capítulos.
  12.  •  1.ª Parte - Narração dos acontecimentos desde a morte do rei D. Fernando até à subida ao trono de D. João I.
  13. •  2.ª Parte - Narração dos acontecimentos ocorridos durante o reinado de D. João I.

  14. O próprio autor chama ao seu discurso “falamento".
  15.  Ele fala com uma convicção de raiz, como se se explicasse, e não como se lesse um texto alheio ou tratasse por obrigação de ofício de uma matéria exterior a ele. Esta presença do autor no âmago da sua obra, cria no leitor um estado de simpatia, como perante uma personalidade que é particularmente cativante. […] Se quisermos analisar a qualidade do estilo de Fernão Lopes, deveremos começar pelo que nos é imediatamente sensível: a sua extraordinária oralidade. Estamos perante um homem que fala a uma assembleia.

  16.   O povo assume grande protagonismo nas crónicas de Fernão Lopes. 
  17. O cronista dá vida às multidões, transformando-as numa força unificada, principalmente através do movimento que lhes imprime e que elas cumprem como se fossem um ser único, um ator coletivo. Exemplo disso, na Crónica de D. João I, é o tumulto que ocorre quando o povo de Lisboa pensa que o Mestre de Avis vai ser assassinado.  O grande ator das crónicas de Fernão Lopes é, na verdade, o povo.  A existência do povo como sujeito da História, do povo que se sente senhor da terra onde nasce, vive, trabalha e morre e que ganha consciência coletiva contra os que querem senhoreá-lo, do povo que é a fonte última do direito, é a grande realidade que ressalta das crónicas de Fernão Lopes.