terça-feira, 18 de setembro de 2018
segunda-feira, 18 de junho de 2018
domingo, 18 de março de 2018
Três sonetos de Camões
Quando de minhas mágoas a comprida
Maginação os olhos me adormece,
Em sonhos aquela alma me aparece,
Que para mi foi sonho nesta vida.
Lá numa soidade, onde estendida
A vista por o campo desfalece,
Corro após ela; e ela então parece
Que mais de mi se alonga, compelida.
Brado: − Não me fujais, sombra benina. −
Ela (os olhos em mi c'um brando pejo,
Como quem diz que já não pode ser)
Torna a fugir-me; torno a bradar: − Dina...
E antes que diga mene, acordo, e vejo
Que nem um breve engano posso ter.
_________________________________
O céu, a terra, o vento sossegado...
As ondas, que se estendem pela areia...
Os peixes, que no mar o sono enfreia...
O nocturno silêncio repousado...
O pescador Aónio, que, deitado
Onde co vento a água se meneia,
Chorando, o nome amado em vão nomeia,
Que não pode ser mais que nomeado:
— Ondas – dezia – antes que Amor me mate,
Tornai-me a minha Ninfa, que tão cedo
Me fizestes à morte estar sujeita.
Ninguém lhe fala; o mar de longe bate;
Move-se brandamente o arvoredo;
Leva-lhe o vento a voz, que ao vento deita
__________________________________________
Busque Amor novas artes, novo engenho,
para matar- me, e novas esquivanças;
que não pode tirar me as esperanças,
que mal me tirará o que eu não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
andando em bravo mar, perdido o lenho.
Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.
Que dias há que n'alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como, e dói não sei porquê.
Maginação os olhos me adormece,
Em sonhos aquela alma me aparece,
Que para mi foi sonho nesta vida.
Lá numa soidade, onde estendida
A vista por o campo desfalece,
Corro após ela; e ela então parece
Que mais de mi se alonga, compelida.
Brado: − Não me fujais, sombra benina. −
Ela (os olhos em mi c'um brando pejo,
Como quem diz que já não pode ser)
Torna a fugir-me; torno a bradar: − Dina...
E antes que diga mene, acordo, e vejo
Que nem um breve engano posso ter.
_________________________________
O céu, a terra, o vento sossegado...
As ondas, que se estendem pela areia...
Os peixes, que no mar o sono enfreia...
O nocturno silêncio repousado...
O pescador Aónio, que, deitado
Onde co vento a água se meneia,
Chorando, o nome amado em vão nomeia,
Que não pode ser mais que nomeado:
— Ondas – dezia – antes que Amor me mate,
Tornai-me a minha Ninfa, que tão cedo
Me fizestes à morte estar sujeita.
Ninguém lhe fala; o mar de longe bate;
Move-se brandamente o arvoredo;
Leva-lhe o vento a voz, que ao vento deita
__________________________________________
Busque Amor novas artes, novo engenho,
para matar- me, e novas esquivanças;
que não pode tirar me as esperanças,
que mal me tirará o que eu não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
andando em bravo mar, perdido o lenho.
Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.
Que dias há que n'alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como, e dói não sei porquê.
domingo, 14 de janeiro de 2018
Farsa de Inês Pereira
Caracterização de Personagens
INÊS PEREIRA: rapariga ambiciosa e sonhadora (pequena burguesia)
- é ociosa, despreza a vida rústica do campo;
- o seu quotidiano é entediante: costura, borda e fia;
- é alegre, quer sair de casa e divertir-se, mas é contrariada pela mãe;
- é ambiciosa e idealista, quer casar-se com um homem que, ainda que pobre, seja «avisado» (discreto), meigo e saiba cantar e tocar viola, para fugir à vida que tem, viver alegre e ascender socialmente;
- a carta que Pero Marques envia não lhe agrada; considera-o disparatado e simplório;
- troça de Pero Marques quando este a visita, e rejeita-o.
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
quarta-feira, 22 de novembro de 2017
terça-feira, 21 de novembro de 2017
Crónica de D. João I de Fernão Lopes
- Com a morte de D. Fernando, em 1383, ficou como regente a sua viúva, D. Leonor Teles, até que a sua única filha legítma, a Infanta D. Beatriz, assumisse o trono. Porém, esta era casada com D. João I, rei de Castela, e assim sendo, na hipótese de D. Beatriz ser aclamada, estaria em causa a independência de Portugal. Perante esta crise, a população de Lisboa insurgiu-se contra D. Leonor Teles.
- A revolta foi liderada por D. João, Mestre de Avis, filho bastardo de D. Pedro. O Conde Andeiro, fidalgo galego e amante da rainha, é assassinado pelo Mestre de Avis. D. Leonor Teles pediu auxílio ao rei de Castela.
- O rei de Castela, apesar de o contrato de casamento ter previsto o reino de Portugal e o de Castela ficariam sempre separados, acabou por invadir Portugal, originando vários confrontos em que os Portugueses saíram sempre vencedores: Cerco de Lisboa (1384); Batalha de Atoleiros (1384); Batalha de Aljubarrota (1385); Batalha de Valverde (1385).
- O Mestre de Avis foi aclamado rei de Portugal nas Cortes de Coimbra em 1385 e a paz com Castela veio a ser assinada em 1411.
- No ínício da era cristã, o vocábulo “crónica” designava a narração histórica pela ordem do tempo em que os factos iam acontecendo.
- Crónica de D. João I
- Apresenta características inovadoras próprias de Fernão Lopes:
- • Narra os acontecimentos com bastante detalhe, conferindo-lhe maior visualismo e veracidade. • Inclui várias perspetivas, nomeadamente a do Povo.
- • Tem uma dimensão interpretativa e estética.
- • Apresenta comentários pessoais do autor.
- Duas partes divididas em capítulos.
- • 1.ª Parte - Narração dos acontecimentos desde a morte do rei D. Fernando até à subida ao trono de D. João I.
- • 2.ª Parte - Narração dos acontecimentos ocorridos durante o reinado de D. João I.
- O próprio autor chama ao seu discurso “falamento".
- Ele fala com uma convicção de raiz, como se se explicasse, e não como se lesse um texto alheio ou tratasse por obrigação de ofício de uma matéria exterior a ele. Esta presença do autor no âmago da sua obra, cria no leitor um estado de simpatia, como perante uma personalidade que é particularmente cativante. […] Se quisermos analisar a qualidade do estilo de Fernão Lopes, deveremos começar pelo que nos é imediatamente sensível: a sua extraordinária oralidade. Estamos perante um homem que fala a uma assembleia.
- O povo assume grande protagonismo nas crónicas de Fernão Lopes.
- O cronista dá vida às multidões, transformando-as numa força unificada, principalmente através do movimento que lhes imprime e que elas cumprem como se fossem um ser único, um ator coletivo. Exemplo disso, na Crónica de D. João I, é o tumulto que ocorre quando o povo de Lisboa pensa que o Mestre de Avis vai ser assassinado. O grande ator das crónicas de Fernão Lopes é, na verdade, o povo. A existência do povo como sujeito da História, do povo que se sente senhor da terra onde nasce, vive, trabalha e morre e que ganha consciência coletiva contra os que querem senhoreá-lo, do povo que é a fonte última do direito, é a grande realidade que ressalta das crónicas de Fernão Lopes.
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